O que são juros compostos
Juros compostos são juros que rendem juros. No primeiro mês, o rendimento incide sobre o valor aplicado. No segundo, incide sobre o valor aplicado somado ao rendimento do primeiro mês. A base cresce sozinha, e é essa realimentação que transforma uma taxa modesta num resultado grande — desde que haja tempo.
A frase batida sobre a "oitava maravilha do mundo" esconde a parte importante: os juros compostos são lentos. Nos primeiros anos, o gráfico parece uma reta e a diferença para os juros simples é quase imperceptível. A curva só se abre depois — e é justamente por isso que quase todo mundo desiste antes da parte boa.
A fórmula (e o que cada letra significa)
Para um capital único, sem aportes: M = C × (1 + i)^n, onde M
é o montante final, C o capital inicial, i a taxa por
período (em decimal: 1% = 0,01) e n o número de períodos.
Com aportes mensais entra um segundo termo, a fórmula de valor futuro de uma série:
M = C × (1+i)^n + A × [((1+i)^n − 1) ÷ i], em que A é o aporte
mensal. É essa a equação que a calculadora acima resolve, mês a mês, para conseguir montar a
tabela de evolução.
(1 + i_ano)^(1/12) − 1.
Juros simples × juros compostos: a diferença na prática
Com R$ 10.000 a 1% ao mês durante 10 anos: nos juros simples o rendimento é sempre R$ 100 por mês, totalizando R$ 12.000 de juros — montante final de R$ 22.000. Nos juros compostos, o mesmo cenário chega a cerca de R$ 33.000. A diferença de R$ 11 mil não veio de uma taxa melhor: veio de deixar o rendimento trabalhar em vez de sacá-lo.
O peso do aporte mensal
Quem está começando costuma superestimar a taxa e subestimar o aporte. Nos primeiros cinco a sete anos, o valor depositado responde pela maior parte do saldo — perseguir 1,2% ao mês em vez de 0,9% muda menos o resultado do que aumentar o aporte em R$ 200. Depois de 15 ou 20 anos, a relação se inverte: o rendimento sobre o acumulado passa a superar tudo o que você deposita no ano.
A tabela de evolução da calculadora torna esse ponto visível. Procure o ano em que a coluna "juros acumulados" ultrapassa a coluna "depositado": é o momento em que o dinheiro passa a trabalhar mais do que você. O artigo quanto rende R$ 1.000 por mês em 5, 10 e 20 anos mostra esse ponto de virada com números redondos e diferentes taxas.
Rentabilidade real: descontando a inflação
Render 10% ao ano num país com 5% de inflação significa ganhar aproximadamente 4,8% de poder
de compra — e não 5%. A fórmula exata é
(1 + nominal) ÷ (1 + inflação) − 1. Simulações longas em valores nominais
produzem números que impressionam e enganam: R$ 1 milhão daqui a 30 anos não compra o que
R$ 1 milhão compra hoje.
Um jeito prático de contornar isso é simular com a taxa real. Se você espera 10% nominais e 4% de inflação, use cerca de 5,8% ao ano na calculadora: o resultado sai em poder de compra de hoje, que é o número com o qual dá para tomar decisão.
Imposto de renda sobre os rendimentos
Em aplicações de renda fixa tributadas, o IR incide apenas sobre os juros, nunca sobre o capital, e cai conforme o tempo de permanência:
| Prazo da aplicação | Alíquota sobre os juros |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20,0% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15,0% |
LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures incentivadas e a poupança são isentas de IR para pessoa física — por isso um LCI de 90% do CDI pode render mais, no líquido, do que um CDB de 100%.
Exemplo prático
Marina tem R$ 5.000 guardados e consegue aportar R$ 800 por mês a 0,9% ao mês durante 15 anos. Ao final: cerca de R$ 320 mil acumulados, sendo R$ 149 mil depositados por ela e cerca de R$ 171 mil de juros. Foi por volta do ano 11 que os juros passaram a superar os aportes — e é dali em diante que o resultado dispara.