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Tabela Price ou SAC: qual sistema custa menos no seu financiamento

Por Equipe Numzi · · 8 min de leitura

O gerente do banco apresenta duas opções, você olha para as parcelas e escolhe a menor. É a decisão mais natural do mundo — e, num financiamento de trinta anos, pode ser a mais cara que você vai tomar na vida.

A diferença entre Tabela Price e SAC não está na taxa de juros. Está em como a dívida é paga ao longo do tempo. E essa diferença estrutural, aplicada a trezentas e sessenta parcelas, produz distâncias que passam facilmente de cem mil reais.

O que muda entre os dois sistemas

Todo financiamento tem dois componentes em cada parcela: uma fatia que amortiza (abate o saldo devedor) e uma fatia de juros (o custo de ter aquele dinheiro emprestado naquele mês). Os juros sempre incidem sobre o saldo devedor atual.

O que distingue Price de SAC é qual desses dois componentes é mantido constante.

Na Tabela Price, a parcela total é fixa. Para que ela se mantenha igual enquanto os juros caem, a amortização precisa crescer. Consequência: no início, quase tudo que você paga é juros.

No SAC, a amortização é fixa — o valor financiado dividido pelo número de parcelas. Como o saldo devedor cai de forma linear, os juros caem junto, e a parcela total diminui todo mês.

O exemplo que mostra a diferença

Vamos usar números redondos: R$ 240 mil financiados, taxa de 10,5% ao ano, prazo de 30 anos (360 parcelas).

Tabela PriceSAC
Primeira parcela~R$ 2.150~R$ 2.673
Parcela no ano 15~R$ 2.150~R$ 1.673
Última parcela~R$ 2.150~R$ 672
Total de juros~R$ 534 mil~R$ 361 mil

A diferença de juros passa de R$ 170 mil — mais da metade do valor financiado. E a taxa contratada é exatamente a mesma nos dois casos. Dá para refazer essa comparação com os valores da sua proposta na calculadora de financiamento, que mostra Price e SAC lado a lado.

O ponto de virada acontece por volta da parcela 120: dali em diante, a parcela do SAC já é menor que a da Price, e a distância só aumenta.

Por que o banco quase sempre oferece a Price

Não é conspiração; é análise de crédito. O banco só aprova um financiamento se a parcela couber em cerca de 30% da renda comprovada. Como a primeira parcela do SAC é uns 25% maior, muita gente simplesmente não é aprovada no SAC — precisaria comprovar uma renda bem mais alta para o mesmo imóvel.

A Price, portanto, aumenta o número de clientes elegíveis. Ela também é mais fácil de vender: “parcela fixa de R$ 2.150” soa mais confortável que “começa em R$ 2.673 e vai caindo”.

Mas se a sua renda comporta a parcela inicial do SAC, vale insistir. Bancos oferecem os dois sistemas em financiamentos imobiliários — nem sempre espontaneamente.

O detalhe que quase ninguém verifica: o saldo devedor

Aqui está o efeito mais subestimado da escolha. Depois de cinco anos pagando religiosamente um financiamento de 30 anos:

  • Na Price, o saldo devedor caiu cerca de 8% a 10%.
  • No SAC, caiu cerca de 17%.

Isso importa muito em três situações concretas: se você quiser vender o imóvel (o saldo devedor é abatido do que você recebe), se quiser quitar antecipadamente, ou se quiser amortizar com FGTS. Em todos esses cenários, quem está no SAC chega com uma dívida menor.

Quando a Price faz mais sentido

Não existe sistema universalmente melhor. A Price vence em três situações:

Orçamento apertado agora, com perspectiva de melhora. Se a parcela inicial do SAC te deixa sem folga, o risco de inadimplência supera a economia teórica de juros.

Contratos curtos. Num financiamento de veículo de 48 meses, a diferença de juros entre os sistemas costuma ser de poucos milhares de reais. A previsibilidade da parcela fixa pode valer mais.

Necessidade de previsibilidade absoluta. Parcela fixa em valor nominal facilita o planejamento — ainda mais para quem tem renda variável.

Como amortizar direito

Se você entrou na Price e tem alguma folga, amortizar antecipadamente resolve boa parte do problema. Cada real amortizado abate diretamente o saldo devedor, e você deixa de pagar todos os juros futuros sobre ele — o equivalente a um investimento com o rendimento da taxa do seu contrato, sem risco e sem imposto.

Ao amortizar, o banco é obrigado a oferecer duas opções:

  • Reduzir o prazo: economiza mais juros, porque elimina as parcelas do fim do contrato.
  • Reduzir a parcela: melhora o fluxo de caixa imediato.

Se o objetivo é pagar menos no total, escolha prazo. E lembre: em financiamentos do SFH, o FGTS pode ser usado para amortizar a cada dois anos.

Antes de assinar, faça estas três perguntas

  1. Qual é o CET? O Custo Efetivo Total inclui seguros MIP e DFI, taxa de administração e tarifas. É o único número comparável entre bancos — a taxa de juros isolada não é.
  2. A correção é por TR ou IPCA? Contratos indexados ao IPCA começam com taxa menor, mas o saldo devedor é corrigido pela inflação. Em cenário inflacionário, a parcela sobe.
  3. Vocês oferecem SAC? Pergunte explicitamente e peça a simulação nos dois sistemas, por escrito.

Simule com os seus números

As médias deste artigo servem para entender o mecanismo. A decisão precisa ser tomada na calculadora de financiamento, com o valor, a taxa e o prazo da sua proposta — inclusive porque prazos menores mudam bastante a conta.